Sindicatos rejeitam nova proposta para Estatuto da Carreira Docente
No período probatório de um ano, os docentes que terminarem com uma avaliação de Regular já não serão automaticamente afastados da carreira, como previa a proposta inicial, tendo nova oportunidade no ano lectivo seguinte.
Quanto à estrutura da carreira, a proposta mantém a divisão em duas categorias (professor e professor titular), muito criticada pelos sindicatos, mas são introduzidos mais dois escalões na primeira, para um total de seis, e outros dois intermédios para os professores com mais anos de serviço que não conseguirem aceder à categoria mais elevada por falta de vaga.
Apesar das alterações, mantêm-se os aspectos mais contestados pelas estruturas sindicais como a introdução de quotas para subir na carreira, o exame de ingresso ou a avaliação de desempenho dependente de critérios como a apreciação dos pais e a taxa de insucesso e abandono escolar dos alunos.
Para os sindicatos, "as alterações são pequenas e insuficientes". "A nova proposta do ministério continua a cortar nos salários, na contagem do tempo de serviço e nos direitos dos professores", argumentou Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), no final de uma reunião conjunta entre a tutela e os 13 sindicatos do sector.
Também o secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), João Dias da Silva, que esteve presente no encontro, considerou que "a nova proposta continua a não servir os interesses dos professores e a não garantir a qualidade do ensino". Para o sindicalista, "por maior que seja a competência de um professor, ele corre sempre o risco de não ver o seu esforço recompensado". A FNE considera ainda que o "sistema de quotas é profundamente negativo e desmobilizador do empenho profissional".
Perante as propostas avançadas pelo Ministério da Educação, as 13 organizações sindicais mantêm a marcha nacional de protesto de amanhã, na qual esperam uma adesão de cerca de 15 mil docentes.
"A marcha vai ter uma dimensão brutal e estamos convencidos de que vai ser o maior protesto de sempre dos professores portugueses. É o momento de maior convergência e união entre todos os sindicatos", assegurou Mário Nogueira.
O protesto tem início às 15h00 no Marquês de Pombal, em Lisboa, devendo seguir até ao Rossio.
Lusa, 4/10/2006


